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O amor Γ s vezes morre
apenas para permanecer vivo.
Fica preso em dias que nΓ£o voltam,
em promessas queimadas,
em respiraΓ§Γ΅es que nΓ£o nos pertenceram.
E eu grito por ti
dentro de mim,
rasgo minhas veias de lembranΓ§a,
arranco de mim os fantasmas
que ousam te segurar.
NΓ£o Γ© saudade.
Γ guerra.
Γ faca na carne,
Γ© fogo que nΓ£o pede licenΓ§a.
Eu quero teu corpo inteiro,
tua alma inteira,
e nΓ£o o reflexo pΓ‘lido
que o tempo deixou aprisionado.
Cada memΓ³ria Γ© corrente,
cada desejo Γ© espada,
cada silΓͺncio Γ© sombra que eu devo atravessar.
Libertar-te nΓ£o Γ© escolha,
Γ© obrigaΓ§Γ£o do sangue,
Γ© dever da vida que ainda pulsa
sob o peso do que nΓ£o fomos capazes de dizer.
E quando finalmente te encontrar
nΓ£o haverΓ‘ passado,
nΓ£o haverΓ‘ quadro,
nΓ£o haverΓ‘ nada alΓ©m de nΓ³s,
inteiros,
incandescentes,
imortais.
— J. Kasra
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