MINERAL DO ORGULHO
O orgulho nunca grita.
Cristaliza.
Escorre lentamente pelas fissuras da alma até transformar o coração em granito, belo por fora, inacessível por dentro. Há quem confunda essa dureza com força, sem perceber que até a montanha mais antiga vive da coragem de permitir que a chuva a transforme.
O diamante fascina porque suporta a pressão.
O orgulho apenas aprende a suportar a solidão.
Há metais que enferrujam com a umidade. Há seres humanos que enferrujam pela incapacidade de pedir perdão, de recuar um passo, de reconhecer que nenhuma vitória vale o silêncio de um afeto perdido.
Toda pedra guarda uma memória.
Toda consciência guarda uma rachadura.
É por ela que a luz entra, ou por ela que o vazio se instala.
O orgulho escolhe fechar a fenda.
A vida insiste em lembrar que até os minerais mais raros nasceram de profundas fraturas.
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