Névoa dos Sonhos
A névoa desliza entre os postes como fumaça de vidro,
arrastando ecos que se quebram antes de tocar o chão.
Sombras percorrem o espaço entre luz e silêncio,
tecendo formas que escapam à compreensão.
O vento move-se como pensamento antigo,
sobre folhas que tremem em ritmos impossíveis.
Os sonhos emergem como espectros do horizonte,
fundindo-se à escuridão sem fronteiras.
As lâmpadas cintilam como partículas de memória,
mas nenhuma ilumina o que pulsa na penumbra.
O ar vibra com figuras que surgem apenas em passagem,
onde o real e o imaginário se confundem sem aviso.
No coração da noite, tudo é movimento contido,
e a névoa é o fio que une mundos invisíveis,
onde cada instante suspende-se e se repete,
uma dança silenciosa entre sonho e sombra.
Passamos pela noite como quem atravessa um espelho,
e despertamos na luz que não pertence ao tempo.
— J. Kasra
