ONDE A AUSÊNCIA RESPIRA
A presença
é um privilégio dos olhos.
A ausência
é um domínio da alma.
Há corpos
que atravessam uma vida inteira
sem deixar vestígios.
E há partidas
que permanecem respirando
muito depois do último adeus.
O esquecimento
nunca venceu a ausência.
Apenas aprendeu
a mentir para o calendário.
É por isso
que uma cadeira vazia
pode pesar mais
que uma multidão.
Que um perfume
é capaz de abrir sepulturas
dentro da memória.
Que um nome,
sussurrado ao acaso,
faz o coração reconhecer
o que o tempo jamais apagou.
A presença
depende da distância entre dois corpos.
A ausência,
não.
Ela atravessa paredes,
anos,
silêncios,
e continua chegando
onde os pés nunca mais voltarão.
No fim,
não é a morte,
nem o tempo,
nem a distância
que definem quem permanece.
É a profundidade
com que alguém
aprendeu a existir
dentro do outro.
Porque há amores,
afetos
e dores
que só descobrem
a própria imensidão
depois que desaparecem.
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