ππππππππ πππππππ πππππππππ
Ela ainda vive na chama.
Eu a vejo —
presa ao fogo como um milagre que nΓ£o se apaga.
Teu rosto tremula na luz
e meus sΓ©culos se dobram sobre a mesa.
Bebo para conter a eternidade,
mas o vinho apenas acorda tua boca em mim.
Teu nome sobe pelo meu peito
como fumaΓ§a que nΓ£o encontra cΓ©u.
Na chama, tu me beijas
como se o tempo nunca tivesse sido cruel.
Teu corpo arde sem se consumir,
e eu ardo sem poder tocar.
Se eu soprar,
perco-te outra vez.
Por isso deixo que queimes.
Deixo que dances na lΓ’mina do fogo.
Deixo que me atormentes com tua presenΓ§a impossΓvel.
Enquanto estiver queimando,
ainda posso mentir ao meu prΓ³prio sangue
e chamar de vida
essa saudade que me atravessa.
— J. Kasra
© 2026 J. Kasra — Todos os direitos reservados.
