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Escrevo estas palavras
como quem desenha feitiΓ§os em sombras densas,
com as traficΓ’ncias da alma e sede que sΓ³ tua presenΓ§a apaziga.
A saudade me atravessa
como lΓ’minas gΓ©lidas cravadas no coraΓ§Γ£o da noite,
como vinho derramado sobre mΓ‘rmore antigo,
como se a prΓ³pria escuridΓ£o respirasse em minhas veias.
Cada letra Γ© vertigem, cada rabisco, incΓͺndio.
No papel, teu rosto surge entre sombras e teias,
convocando teu espΓrito em murmΓΊrios proibidos.
Velas morrem lentamente ao redor,
a cera escorrendo como veias de memΓ³ria.
E enquanto escrevo, sinto:
nΓ£o Γ© ausΓͺncia.
Γ fome profana, desejo ancestral, pacto silencioso,
um ritual de amor que se eterniza em cada suspiro,
em cada sombra, em cada vinho derramado,
atΓ© que tu e eu nos tornemos imortais na mesma chama.
— J. Kasra © 2026 — Todos os direitos reservados
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