SAUDADE DO INVISÍVEL
Há momentos em que o peito aperta,
como se guardasse um fogo secreto,
um perfume que não conheci,
uma boca que não toquei,
mas que minha carne implora.
Saudade de um corpo que nunca vi,
de um olhar que me consome,
como se cada sombra, cada vento
soubesse os segredos que ardem em mim.
Desejo que escorre pelos meus ossos,
que rasga o silêncio da noite
e dança em meus lábios,
em um êxtase que arde,
e que o coração reconhece antes da razão.
E sinto-o em cada batida, em cada suspiro,
como se a alma, antes de nascer,
já soubesse do gosto da paixão
que queima antes de tocar.
J. Kasra
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