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3/01/26

𝐎 ππ„πˆπ‰πŽ ππ‘πŽπ…π€ππŽ

 


𝐎 ππ„πˆπ‰πŽ ππ‘πŽπ…π€ππŽ

Te encontrei onde a luz hesita.

Entre paredes ΓΊmidas de silΓͺncio
e teias antigas pendendo do teto da memΓ³ria.

Havia vinho na tua boca —
escuro, espesso, quase pecado.

Quando me beijaste, nΓ£o foi ternura:
foi invasΓ£o lenta,
como se o tempo abrisse a prΓ³pria veia.

Teus lΓ‘bios tinham gosto de promessa quebrada
e eternidade maldita.

Eu bebi sem recuar.

Nossas sombras se enroscaram no chΓ£o
como fios de aranha famintos,
tecendo um pacto que nΓ£o pedia cΓ©u.

Ali, naquele instante impuro,
nΓ£o Γ©ramos dois corpos —
Γ©ramos vertigem.

E o beijo nΓ£o terminou.
Ele ficou grudado na alma,
como vinho derramado que mancha para sempre.

— J. Kasra © 2026 — Todos os direitos reservados

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