ESSÊNCIA
O amor desperta…
não o amor por algo, por alguém,
mas o amor essência —
aquele que é raro
e só se compartilha com outra essência.
Mas de um modo único,
longe das matemáticas e das gramáticas.
É o que não vem apenas para somar,
mas para transbordar.
Sem sílabas,
em linguagem natural —
de frequências, do pensar, da pele.
Não como começo,
mas como algo que sobreviveu em silêncio.
Adormecido sob o peso de cruzes antigas,
protegido por muros invisíveis erguidos por decepções,
por medos que aprenderam a se disfarçar de cuidado.
E ainda assim… algo atravessa.
Nos conectamos antes mesmo de perceber,
como se uma presença chegasse antes do corpo,
como se o sentir conhecesse caminhos
que a razão nunca percorreu.
Há uma vontade quase incontrolável…
de cuidar, de proteger, de fazer ser diferente —
não por promessa, nem por impulso,
mas por chamado…
por um saber silencioso que se reconhece.
E no escutar… tudo se antecipa.
Como se cada silêncio dissesse mais do que qualquer palavra,
como se cada dor, cada suspiro, cada pensamento
já tivesse atravessado o outro antes de ser dito.
Somos esmagados como uvas…
e o que resta não é perda —
é expansão.
Uma frequência que se replica e se renova,
que se reconhece,
que insiste.
E isso… é uma certeza calada.
Daquelas que não se dizem sem medo de parecer excesso,
pretensão… ou ilusão.
Mas não é.
Porque quando é real,
não precisa se provar —
apenas continua.
Mesmo diante das dúvidas,
mesmo com o medo sussurrando recuo,
mesmo com o passado tentando repetir suas sombras.
E talvez seja isso que desorganiza tudo:
não é confusão…
é a consciência de algo profundo demais
tentando caber em duas essências
que já se reconheceram antes mesmo de saber.
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