O Tempo e o Abraço
O tempo dobra-se sobre si, silencioso,
como um rio que guarda a memória das pedras.
Cada instante se curva,
enquanto o ar carrega a densidade das horas.
O abraço é sombra alongada,
um eco que não se quebra,
um fio que une o que o mundo dispersa,
uma cadência que atravessa o impossível.
As horas se vestem de cor e silêncio,
e a luz hesita entre os espaços que respiram.
O que foi não se apaga,
o que será se dobra em sombras e claridade.
Tudo é simultâneo: instante, abismo, memória,
e no entrelace do tempo,
o toque se mantém oculto,
preso apenas à música das coisas que passam.
— J. Kasra
