2/27/26

𝐎 π‚π€π‹π€ππŽπ”π‚̧𝐎 πƒπŽπ’ ππ„ππ’π€πŒπ„ππ“πŽπ’

 



𝐎 π‚π€π‹π€ππŽπ”π‚̧𝐎 πƒπŽπ’ ππ„ππ’π€πŒπ„ππ“πŽπ’

Construo paredes sem perceber.
Ergo-as com medos pequenos,
com palavras que nΓ£o disse,
com abraΓ§os que temi desejar.

O calabouΓ§o nΓ£o tem chΓ£o —
tem eco.

E nele guardo minhas paixΓ΅es inacabadas,
meus desejos com culpa,
meus segredos que fingem dormir.

HΓ‘ correntes feitas de apego,
hΓ‘ portas trancadas por orgulho.
E cada chave que encontro
Γ© tambΓ©m uma desculpa para nΓ£o sair.

Sou carcereiro e prisioneiro.

Γ€s vezes abro a janela mΓ­nima
e a luz entra como uma pergunta:
“Quem te ensinou a temer o prΓ³prio incΓͺndio?”

Mas fecho.
Porque o mundo exige compostura,
e a alma exige vertigem.

E sigo cavando,
nΓ£o para fugir —
mas para caber melhor
no medo que aprendi a chamar de paz.

— J. Kasra
© 2026 J. Kasra — Todos os direitos reservados.

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