7/24/26

Uma nova morada para as palavras


 

Uma nova morada para as palavras

Há momentos em que as palavras deixam de habitar apenas as páginas e encontram um lugar onde podem permanecer, crescer e alcançar novos leitores.

É com alegria que compartilho o lançamento do meu site oficial, um espaço dedicado às minhas obras, fragmentos literários, artigos e futuros lançamentos.

Mais do que um endereço na internet, este é um ambiente criado para reunir tudo aquilo que nasce da escrita: histórias, poemas, reflexões e caminhos que atravessam a imaginação, o mistério e a condição humana.

Conheça o site oficial:
https://jkasra.com

Lá você encontrará minhas obras, novidades, fragmentos literários e outras publicações que fazem parte da minha trajetória como escritor.

Boas-vindas ao universo de J. Kasra. As portas estão abertas.

PALAVRAS QUE ATRAVESSAM


 

PALAVRAS QUE ATRAVESSAM

Um Manifesto Contra os Guardiões do Vazio

"Quando a palavra é livre, nenhuma muralha permanece intacta."

Toda censura nasce do mesmo ventre: o medo.

Nunca o medo da mentira.

A mentira sempre encontrou abrigo entre os covardes.

O que realmente assusta é a possibilidade de que uma única palavra desperte aquilo que milhares de discursos jamais conseguiram adormecer.

A liberdade nunca foi perseguida porque era fraca.

Sempre foi perseguida porque era contagiosa.

Os inimigos da arte mudaram de roupa ao longo dos séculos.

Ontem empunhavam cruzes, coroas, tribunais e fogueiras.

Hoje empunham regulamentos, métricas, algoritmos, vaidades, conveniências e o conforto anestesiante da unanimidade.

Mudaram os instrumentos.

A obsessão permanece a mesma: domesticar aquilo que nasceu para ser indomável.

Existe uma categoria de pessoas incapazes de criar.

Como não criam, controlam.

Como não imaginam, classificam.

Como não transformam, regulam.

Como não dialogam, silenciam.

E chamam isso de ordem.

Toda época produz seus guardiões do vazio.

São aqueles que confundem silêncio com paz.

Conformidade com inteligência.

Obediência com virtude.

Repetição com sabedoria.

Vivem cercados por regras porque jamais suportaram a vertigem da liberdade.

A arte sempre lhes pareceu perigosa.

Não porque destrói o mundo.

Mas porque destrói as ilusões sobre as quais muitos decidiram construir a própria existência.

Um poema pode ser recusado.

Uma pintura pode ser escondida.

Um livro pode ser proibido.

Uma voz pode ser interrompida.

Mas nenhuma dessas violências alcança o lugar onde nasce uma ideia.

Porque o pensamento não ocupa prateleiras.

Ocupa consciências.

E consciências não podem ser confiscadas.

Toda tentativa de controlar a palavra revela apenas uma tragédia:

a incapacidade de enfrentá-la.

Quem teme um livro já perdeu para ele antes mesmo de abrir a primeira página.

Quem teme uma obra confessa, ainda que em silêncio, que sua visão de mundo é frágil demais para suportar uma pergunta.

É por isso que a mediocridade sempre precisou censurar.

Nunca soube responder.

A literatura jamais floresceu entre os obedientes.

Foi escrita pelos inconvenientes.

Pelos exilados.

Pelos hereges.

Pelos blasfemos.

Pelos sonhadores.

Pelos poetas que preferiram a solidão à rendição.

Pelos artistas que aceitaram ser chamados de loucos antes de aceitarem ser domesticados.

Toda grande obra nasceu como uma afronta ao seu tempo.

Primeiro foi ridicularizada.

Depois combatida.

Mais tarde apropriada.

Por fim, celebrada pelos mesmos que antes desejavam seu desaparecimento.

Assim caminha a história.

Os carcereiros mudam de nome.

As grades mudam de forma.

O medo muda de discurso.

Mas a palavra continua atravessando todos eles.

Porque palavras verdadeiras possuem uma vocação estranha:

recusam-se a morrer.

Elas atravessam séculos.

Impérios.

Religiões.

Ditaduras.

Mercados.

Ideologias.

Modismos.

E sobrevivem até mesmo aos seus autores.

Enquanto isso, aqueles que acreditaram possuir o poder de silenciá-las desaparecem como notas de rodapé em uma história que jamais compreenderam.

A arte nunca pediu licença.

A filosofia nunca pediu licença.

A poesia nunca pediu licença.

A literatura jamais nasceu para agradar.

Nasceu para perturbar.

Para rasgar véus.

Para desobedecer.

Para iluminar aquilo que o poder prefere manter na sombra.

Meu manifesto não pede espaço.

Não implora aceitação.

Não negocia existência.

Ele atravessa.

Porque toda palavra verdadeiramente viva carrega dentro de si uma rebelião.

E nenhuma rebelião começa com armas.

Começa quando alguém se recusa a aceitar o silêncio como destino.

Começa quando uma única frase rompe o coro da conformidade.

Começa quando um escritor decide permanecer fiel à verdade que habita sua consciência, mesmo sabendo que ela incomodará aqueles que transformaram o controle em identidade.

No fim, é sempre a mesma história.

Os censores desaparecem.

Os donos do momento são esquecidos.

As estruturas ruem.

Os regulamentos envelhecem.

Mas as palavras continuam caminhando.

Porque nenhuma muralha construída pelo medo resiste para sempre à lenta, silenciosa e irreversível força de uma ideia livre.


J. Kasra

7/18/26

BEYOND THE LAST ROSE


 

BEYOND THE LAST ROSE

There was no flesh left.

No name.

No mirror.

And yet,

the embrace remained.

There are loves
that time wears away.

There are others
that time itself
learns to revere.

Beneath ancient candelabras,
among black roses
and the silent fragrance of the mist,

two lovers
still know the way
to one another.

No heart beats.

And yet,

the entire universe
listens to that embrace.

Love
was never the work
of flesh.

Skin grows old.

Bones surrender.

Centuries drift by
like ashes carried
by the wind.

There are passions
that refuse to end.

They continue breathing
within the memory of shadows,
in the tenderness of a touch
that no longer needs hands
to exist.

They remain there,

wrapped within each other,

like two prayers
that have forgotten
the meaning of farewell.

That is
what eternity is called:

when even death
becomes far too small
to separate
two souls

that have learned
to bloom

even among black roses.

J. Kasra — All rights reserved.

7/15/26

Sob a Pele da Noite — Antes que o Silêncio Ganhe um Rosto


 

Sob a Pele da Noite — Antes que o Silêncio Ganhe um Rosto

Há casas que esquecemos. Outras nunca nos deixam partir.

Há objetos que parecem apenas objetos... até o dia em que decidem devolver tudo o que testemunharam em silêncio. Um relógio que se recusa a esquecer um crime. Uma biblioteca onde algumas histórias jamais deveriam ter sido escritas. Um quarto que conhece seu nome antes mesmo de você atravessar a porta.

Essas são algumas das portas que se abrem em Sob a Pele da Noite. Ao longo de treze histórias de suspense, mistério e sobrenatural sutil, personagens, lugares e objetos se entrelaçam em um universo onde nem tudo pode ser explicado pela razão.

Mais do que uma sequência de contos independentes, o livro convida o leitor a perceber conexões quase invisíveis entre as histórias. Pessoas reaparecem, lugares retornam e pequenos detalhes revelam que talvez tudo estivesse sempre oculto.

Se você aprecia narrativas que despertam inquietação sem recorrer ao horror explícito, Sob a Pele da Noite foi escrito para você.

Depois da última página, talvez você nunca mais entre sozinho em um quarto da mesma maneira.

📖 A versão digital já está disponível.

📚 A edição impressa será lançada em breve.

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7/13/26

A MEDIDA DA PEDRA E DA ÁGUA


 

A MEDIDA DA PEDRA E DA ÁGUA

A pedra
admira a própria firmeza.

A água
desconhece a necessidade
de provar qualquer força.

Uma permanece.

A outra prossegue.

A pedra
acredita
que existir
é resistir.

A água
revela
que existir
também é transformar.

Nenhuma delas
está errada.

Toda rigidez
corre o risco
de tornar-se prisão.

Toda fluidez
corre o risco
de esquecer o próprio rumo.

A sabedoria
não pertence
à pedra
nem à água.

Nasce
no instante
em que uma aprende
o silêncio da outra.

O rio
jamais pede licença
à montanha.

A montanha
jamais impede
o tempo.

Ambos conhecem
a mesma verdade:

o universo
não se curva
à força.

Curva-se
àquilo
que permanece
sem deixar
de mudar.


 J. KASRA - Todos os direitos reservados.

ONDE A AUSÊNCIA RESPIRA


 

ONDE A AUSÊNCIA RESPIRA

A presença
é um privilégio dos olhos.

A ausência
é um domínio da alma.

Há corpos
que atravessam uma vida inteira
sem deixar vestígios.

E há partidas
que permanecem respirando
muito depois do último adeus.

O esquecimento
nunca venceu a ausência.

Apenas aprendeu
a mentir para o calendário.

É por isso
que uma cadeira vazia
pode pesar mais
que uma multidão.

Que um perfume
é capaz de abrir sepulturas
dentro da memória.

Que um nome,
sussurrado ao acaso,
faz o coração reconhecer
o que o tempo jamais apagou.

A presença
depende da distância entre dois corpos.

A ausência,
não.

Ela atravessa paredes,
anos,
silêncios,
e continua chegando
onde os pés nunca mais voltarão.

No fim,
não é a morte,
nem o tempo,
nem a distância
que definem quem permanece.

É a profundidade
com que alguém
aprendeu a existir
dentro do outro.

Porque há amores,
afetos
e dores

que só descobrem
a própria imensidão

depois que desaparecem.


J. KASRA - Todos os direitos reservados.

7/11/26

A LÍNGUA DAS LÁGRIMAS


 

A LÍNGUA DAS LÁGRIMAS

As lágrimas nunca mentem.

Mentem os lábios.
Mentem as mãos.
Até o silêncio aprende a fingir.

As lágrimas, não.

Elas descem quando a alma transborda,
e a alma desconhece a diferença
entre amar, perder,
renascer,
esperar
ou despedir-se.

O mesmo sal
que acompanha um funeral
também beija o rosto
de quem reencontra a luz
depois de uma longa noite.

As lágrimas existem
para lembrar ao orgulho
que toda intensidade
procura um caminho.

Quem nunca chorou de alegria
também nunca compreendeu
a violência da esperança.

Quem nunca chorou diante da beleza
jamais percebeu
que algumas presenças
ultrapassam os limites da linguagem.

E quem já chorou sem motivo
descobriu o mais antigo dos mistérios:

existem sentimentos
grandes demais
para caber dentro das palavras.

Por isso os olhos
aprenderam a escrever em água.

E nenhuma filosofia,
nenhuma religião,
nenhum amor
jamais encontrou
uma tinta mais verdadeira.


J. KASRA - Todos os direitos reservados.

7/07/26

SANTA MUERTE - A Devoção que Une Corações


 SANTA MUERTE - A Devoção que Une Corações

A obra traz uma análise profunda sobre a Santa Muerte, revelando sua importância histórica, espiritual e social. Além de contextualizar sua presença em diferentes culturas, apresenta orações e práticas devocionais, mostrando como essa figura se tornou símbolo de proteção, resistência e esperança.

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A SOMBRA QUE ESPIA


 

A SOMBRA QUE ESPIA

Há quem nunca tenha aprendido a construir.

Por isso, passa a vida contando os tijolos da casa alheia.

Habita as frestas, alimenta-se das janelas, coleciona passos que não deu, vitórias que não conquistou e sorrisos que jamais lhe pertenceram. Chama de curiosidade a própria inquietação; chama de opinião o vazio que ecoa dentro de si.

A inveja possui uma fome mineral.

Rói por dentro como ferrugem na mais antiga das espadas. Não sangra a vítima. Corrói apenas quem a carrega.

A falsidade veste o perfume da gentileza.

Sorri com os lábios enquanto afia o silêncio. Aplaude diante dos olhos e semeia espinhos assim que encontra as costas.

Há almas tão vazias que sobrevivem apenas espionando a luz dos outros, como sombras que confundem a própria escuridão com inteligência.

Mas nenhuma sombra aprende a ser sol.

Nenhum espelho roubado devolve um rosto digno.

Quem escolhe viver à espreita acaba condenado a assistir à vida passar pela janela, enquanto o tempo, indiferente e implacável, sepulta o próprio nome sob o peso daquilo que nunca teve coragem de ser.

J. Kasra — Todos os direitos reservados.


MINERAL DO ORGULHO


 

MINERAL DO ORGULHO

O orgulho nunca grita.

Cristaliza.

Escorre lentamente pelas fissuras da alma até transformar o coração em granito, belo por fora, inacessível por dentro. Há quem confunda essa dureza com força, sem perceber que até a montanha mais antiga vive da coragem de permitir que a chuva a transforme.

O diamante fascina porque suporta a pressão.

O orgulho apenas aprende a suportar a solidão.

Há metais que enferrujam com a umidade. Há seres humanos que enferrujam pela incapacidade de pedir perdão, de recuar um passo, de reconhecer que nenhuma vitória vale o silêncio de um afeto perdido.

Toda pedra guarda uma memória.

Toda consciência guarda uma rachadura.

É por ela que a luz entra, ou por ela que o vazio se instala.

O orgulho escolhe fechar a fenda.

A vida insiste em lembrar que até os minerais mais raros nasceram de profundas fraturas.

J. Kasra — Todos os direitos reservados.

THE MINERALOGY OF MASKS

  THE MINERALOGY OF MASKS Appearance learned early the art of polishing its own stone. Essence never needed such a theater. It simply is, ev...