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Tu me deste trΓͺs palavras
como quem entrega fΓ³sforos acesos:
cumplicidade.
olhar sensual.
sorriso.
Desde entΓ£o,
arde.
HΓ‘ uma ciΓͺncia secreta
em duas almas que se reconhecem
antes que os corpos tenham permissΓ£o.
Estamos longe —
geografia insiste nisso —
mas tua voz atravessa a noite
como se soubesse o caminho exato
da curva do meu silΓͺncio.
Cumplicidade
Γ© essa ponte invisΓvel
onde teus pensamentos chegam
antes que eu os formule.
Γ rir no mesmo segundo.
Γ calar no mesmo abismo.
Γ saber —
sem perguntar.
Teu olhar sensual,
mesmo que eu nunca o tenha tocado,
me percorre.
Ele existe na imaginaΓ§Γ£o
como chama azul:
precisa, concentrada,
capaz de derreter o que parecia sΓ³lido.
E teu sorriso —
ah, teu sorriso —
Γ© o gesto que desmonta
qualquer defesa que eu ensaie.
Ele nΓ£o pede.
Ele convida.
Ele promete mistΓ©rios
que nΓ£o se contam em voz alta.
Falamos baixo,
como se o mundo nΓ£o merecesse ouvir.
Sussurramos futuros
como quem mistura elementos raros
num laboratΓ³rio secreto.
Somos alquimistas de algo perigoso:
transformamos ausΓͺncia em presenΓ§a,
distΓ’ncia em calor,
espera em desejo maduro.
E quanto mais longe estΓ‘s,
mais perto te sinto —
como se o universo
estivesse apenas testando
a resistΓͺncia da chama.
NΓ£o sei quando nossos corpos
ocuparΓ£o o mesmo espaΓ§o.
Mas sei isto:
quando acontecer,
nΓ£o serΓ‘ inΓcio.
SerΓ‘ revelaΓ§Γ£o.
Porque o que queima agora
nΓ£o Γ© carΓͺncia.
Γ reconhecimento.
— J. Kasra
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