2/27/26

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Ela ainda vive na chama.

Eu a vejo —
presa ao fogo como um milagre que nΓ£o se apaga.
Teu rosto tremula na luz
e meus sΓ©culos se dobram sobre a mesa.

Bebo para conter a eternidade,
mas o vinho apenas acorda tua boca em mim.
Teu nome sobe pelo meu peito
como fumaΓ§a que nΓ£o encontra cΓ©u.

Na chama, tu me beijas
como se o tempo nunca tivesse sido cruel.
Teu corpo arde sem se consumir,
e eu ardo sem poder tocar.

Se eu soprar,
perco-te outra vez.

Por isso deixo que queimes.
Deixo que dances na lΓ’mina do fogo.
Deixo que me atormentes com tua presenΓ§a impossΓ­vel.

Enquanto estiver queimando,
ainda posso mentir ao meu prΓ³prio sangue
e chamar de vida
essa saudade que me atravessa.

— J. Kasra
© 2026 J. Kasra — Todos os direitos reservados.

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