4/20/26

ESSÊNCIA


 

ESSÊNCIA

O amor desperta…
não o amor por algo, por alguém,
mas o amor essência —
aquele que é raro
e só se compartilha com outra essência.

Mas de um modo único,
longe das matemáticas e das gramáticas.

É o que não vem apenas para somar,
mas para transbordar.

Sem sílabas,
em linguagem natural —
de frequências, do pensar, da pele.

Não como começo,
mas como algo que sobreviveu em silêncio.

Adormecido sob o peso de cruzes antigas,
protegido por muros invisíveis erguidos por decepções,
por medos que aprenderam a se disfarçar de cuidado.

E ainda assim… algo atravessa.

Nos conectamos antes mesmo de perceber,
como se uma presença chegasse antes do corpo,
como se o sentir conhecesse caminhos
que a razão nunca percorreu.

Há uma vontade quase incontrolável…
de cuidar, de proteger, de fazer ser diferente —
não por promessa, nem por impulso,
mas por chamado…
por um saber silencioso que se reconhece.

E no escutar… tudo se antecipa.

Como se cada silêncio dissesse mais do que qualquer palavra,
como se cada dor, cada suspiro, cada pensamento
já tivesse atravessado o outro antes de ser dito.

Somos esmagados como uvas…
e o que resta não é perda —
é expansão.

Uma frequência que se replica e se renova,
que se reconhece,
que insiste.

E isso… é uma certeza calada.

Daquelas que não se dizem sem medo de parecer excesso,
pretensão… ou ilusão.
Mas não é.

Porque quando é real,
não precisa se provar —
apenas continua.

Mesmo diante das dúvidas,
mesmo com o medo sussurrando recuo,
mesmo com o passado tentando repetir suas sombras.

E talvez seja isso que desorganiza tudo:
não é confusão…
é a consciência de algo profundo demais
tentando caber em duas essências
que já se reconheceram antes mesmo de saber.


J. Kasra — Todos os direitos reservados

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