7/13/26

ONDE A AUSÊNCIA RESPIRA


 

ONDE A AUSÊNCIA RESPIRA

A presença
é um privilégio dos olhos.

A ausência
é um domínio da alma.

Há corpos
que atravessam uma vida inteira
sem deixar vestígios.

E há partidas
que permanecem respirando
muito depois do último adeus.

O esquecimento
nunca venceu a ausência.

Apenas aprendeu
a mentir para o calendário.

É por isso
que uma cadeira vazia
pode pesar mais
que uma multidão.

Que um perfume
é capaz de abrir sepulturas
dentro da memória.

Que um nome,
sussurrado ao acaso,
faz o coração reconhecer
o que o tempo jamais apagou.

A presença
depende da distância entre dois corpos.

A ausência,
não.

Ela atravessa paredes,
anos,
silêncios,
e continua chegando
onde os pés nunca mais voltarão.

No fim,
não é a morte,
nem o tempo,
nem a distância
que definem quem permanece.

É a profundidade
com que alguém
aprendeu a existir
dentro do outro.

Porque há amores,
afetos
e dores

que só descobrem
a própria imensidão

depois que desaparecem.


J. KASRA - Todos os direitos reservados.

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