π πππππ π π ππππππ ππ πππππ
A noite nΓ£o cai —
ela invade.
Entra pelas frestas,
acende velas dentro do meu peito
e me deixa arder em silΓͺncio.
Teu nome nΓ£o Γ© palavra —
Γ© lΓ’mina morna
percorrendo o interior da minha voz.
O vinho escorre espesso,
como se carregasse memΓ³rias
que ainda respiram.
Bebo —
e cada gole abre uma ferida luminosa.
HΓ‘ sussurros na nΓ©voa,
mas nenhum Γ© mais alto
que o teu corpo lembrado no meu.
As velas tremem.
NΓ£o pelo vento.
Mas pelo excesso de tudo
que nΓ£o cabe na carne.
Amar Γ© isto:
uma combustΓ£o lenta,
um incΓͺndio contido entre ossos,
uma noite que devora
e ainda assim
implora por mais.
— J. Kasra
