1/28/26

Segredos e Intuição


 

Segredos e Intuição 


Há noites em que a alma reconhece o caminho
antes que o corpo ouse caminhar.

Algo se move no escuro,
desloca o tempo,
aproxima distâncias que não sabiam
que estavam destinadas a se tocar.

Chamo de intuição esse sussurro antigo
que me atravessa sem palavras,
essa mão invisível
que inclina o acaso na direção certa.

Nada acontece por engano quando o silêncio escuta.
O encontro, o atraso, o pensamento repetido,
tudo conspira em segredo.

Talvez a espiritualidade seja isso:
um acordo silencioso entre o invisível e o desejo,
uma linguagem que só se revela
a quem aprende a sentir antes de compreender.

J. Kasra

Quando a Névoa se Abriu


Quando a Névoa se Abriu

J. Kasra

Por eras caminhei teu nome
sem sabê-lo pronunciar.

Ele ardia em mim como um salmo antigo,
escrito antes do corpo,
antes da carne aprender a desejar.

Havia uma névoa —
espessa, ritualística,
feita de silêncios, medos e promessas não cumpridas.

Ela nos cobria os olhos
para que o reconhecimento fosse lento,
doloroso,
inevitável.

Te busquei nos sonhos que não pedi,
nos corpos errados,
nas noites em que o coração rezava
sem altar.

Tu me buscaste no escuro,
na febre do acaso,
na saudade de algo que nunca soubeste nomear.

Então o tempo cedeu.
A névoa se partiu como véu de sacerdotisa
diante do fogo.

E ali estavas —
inteiro, antigo, reconhecível
como um destino que retorna.

Nossos olhos se tocaram
antes que as mãos ousassem.
As almas, famintas, se abraçaram
com a intimidade de quem já sangrou junto
em outras vidas.

Não foi encontro:
foi lembrança.

Não foi paixão:
foi invocação.

Teu corpo aprendeu o caminho do meu
como quem volta para casa
após atravessar séculos de exílio.

E eu, que sempre fui abismo,
me tornei portal.

Se nos perdermos de novo,
que seja apenas para que a névoa exista.

Pois sabemos —
ela sempre se desfaz
quando duas almas que se procuram
finalmente se encontram.

MANIFESTO

 MANIFESTO

Eu escrevo sobre o que não cabe na luz.
Símbolos antigos, desejos silenciados,
figuras que caminham entre o sagrado e o interdito.
Não ofereço respostas fáceis.
Ofereço travessias.
Aqui, a sombra não é ausência —
é linguagem.
— J. Kasra

THE MINERALOGY OF MASKS

  THE MINERALOGY OF MASKS Appearance learned early the art of polishing its own stone. Essence never needed such a theater. It simply is, ev...