3/02/26

𝐂𝐀𝐑𝐍𝐄 𝐄 π€ππˆπ’πŒπŽ

 



𝐂𝐀𝐑𝐍𝐄 𝐄 π€ππˆπ’πŒπŽ

NΓ£o nos amamos —
nos invadimos.

Entramos uns nos outros
como tempestades procurando ruΓ­nas.

Toda relaΓ§Γ£o Γ© um campo de batalha invisΓ­vel,
onde lutam o que fomos
e o que fingimos ser.

Carregamos dentro de nΓ³s
um quarto escuro que quase nunca abrimos.
Nele moram nossos medos com dentes afiados,
nossas faltas,
nossas versΓ΅es que tememos que ninguΓ©m suportaria abraΓ§ar.

E ainda assim,
queremos que nos amem inteiros.

Mas quem suporta o peso da verdade?

Quando alguΓ©m se aproxima demais,
nΓ£o Γ© ternura que desperta —
Γ© pΓ’nico.
Γ‰ a memΓ³ria de antigas quedas
sussurrando que todo afeto cobra um preΓ§o.

Amamos com as mΓ£os trΓͺmulas,
como quem segura vidro partido.
Queremos fusΓ£o,
mas tememos desaparecer.
Queremos profundidade,
mas recuamos quando o outro toca a ferida certa.

Dentro de cada abraΓ§o
hΓ‘ um grito contido.
Dentro de cada silΓͺncio,
uma infΓ’ncia ainda esperando ser salva.

E o conflito nΓ£o estΓ‘ apenas no outro.
EstΓ‘ na fome antiga de sermos vistos
sem que precisemos sangrar por isso.

Somos abismos tentando dialogar.
Somos carne querendo transcendΓͺncia.
Somos desejo e medo de sermos descobertos.

E no fim,
amar Γ© aceitar que o outro
nΓ£o veio para nos completar —
veio para acender as luzes
do que mantΓ­nhamos na sombra.

E isso queima.
Mas tambΓ©m revela.

— J. Kasra © 2026 — Todos os direitos reservados

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