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Teus lΓ‘bios nos meus —
e o mundo perdeu o direito de existir.
NΓ£o houve promessa.
Houve fome.
Fome antiga,
mais velha que o sangue,
mais funda que o nome que carrego.
Teu gosto era vinho escuro
abrindo-se na minha boca
como um feitiΓ§o que nunca pediu perdΓ£o.
Quando te beijei,
nΓ£o quis ternura.
Quis eternidade.
Eternidade como incΓͺndio.
Como vertigem.
Como duas almas se rasgando
para caber na mesma chama.
NΓ£o voltamos.
NΓ£o havia casa.
NΓ£o havia depois.
Havia apenas o beijo —
lento, profundo,
um abismo sugando o ar
atΓ© que respirar fosse desnecessΓ‘rio.
Se me perguntarem o que restou,
direi:
restou a fome.
E ela nΓ£o termina.
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