3/03/26

𝐎 ππ„πˆπ‰πŽ 𝐐𝐔𝐄 𝐍𝐀̃𝐎 π“π„π‘πŒπˆππ€


 

𝐎 ππ„πˆπ‰πŽ 𝐐𝐔𝐄 𝐍𝐀̃𝐎 π“π„π‘πŒπˆππ€

Teus lΓ‘bios nos meus —
e o mundo perdeu o direito de existir.

NΓ£o houve promessa.
Houve fome.

Fome antiga,
mais velha que o sangue,
mais funda que o nome que carrego.

Teu gosto era vinho escuro
abrindo-se na minha boca
como um feitiΓ§o que nunca pediu perdΓ£o.

Quando te beijei,
nΓ£o quis ternura.
Quis eternidade.

Eternidade como incΓͺndio.
Como vertigem.
Como duas almas se rasgando
para caber na mesma chama.

NΓ£o voltamos.
NΓ£o havia casa.
NΓ£o havia depois.

Havia apenas o beijo —
lento, profundo,
um abismo sugando o ar
atΓ© que respirar fosse desnecessΓ‘rio.

Se me perguntarem o que restou,
direi:

restou a fome.

E ela nΓ£o termina.

— J. Kasra © 2026 — Todos os direitos reservados

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