4/27/26

A UMIDADE DO INCÊNDIO


 A UMIDADE DO INCÊNDIO


Na chuva lenta da noite
erguemos um altar entre pedra e respiração.

As velas ardem molhadas,
teimosas como um desejo que não se ajoelha.

Sobre o altar, as uvas repousam escuras,
exalando um perfume denso de doçura e promessa.

Te abraço
como quem guarda um incêndio entre as mãos.

Teu corpo é terra quente sob a chuva,
cheiro de pele viva misturado ao vento molhado.

E quanto mais a água nos cobre,
mais minha chama se inclina para ti.

Assim ficamos, colados à tempestade:
eu queimando devagar
no perfume úmido da tua pele.

J.Kasra — Todos os direitos reservados

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