4/30/26

GEOMETRIA DO FOGO SILENCIOSO


 

GEOMETRIA DO FOGO SILENCIOSO

Há templos onde a matéria ainda se lembra do primeiro estremecer da criação.
Pedras antigas respiram sal e silêncio, como se guardassem sob a cal o rumor de desejos não confessados.

Uma presença atravessa o espaço — não como corpo, mas como faísca reconhecendo a própria chama.

As velas inclinam suas línguas de ouro, e a penumbra se abre como terra úmida recebendo semente.

Entre ruína e incenso algo desperta na geologia invisível do destino: duas forças antigas tateando na mesma rocha, veios de quartzo ardendo sob a mesma montanha.

Não há gesto, apenas a tensão luminosa do que poderia tocar.

E nesse instante suspenso entre fé e vertigem o passado se desprende das paredes como pó sagrado, enquanto o desejo — lento, mineral, inevitável — aprende novamente a existir.


J. Kasra
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THE MINERALOGY OF MASKS

  THE MINERALOGY OF MASKS Appearance learned early the art of polishing its own stone. Essence never needed such a theater. It simply is, ev...