A MEDIDA DA PEDRA E DA ÁGUA
A pedra
admira a própria firmeza.
A água
desconhece a necessidade
de provar qualquer força.
Uma permanece.
A outra prossegue.
A pedra
acredita
que existir
é resistir.
A água
revela
que existir
também é transformar.
Nenhuma delas
está errada.
Toda rigidez
corre o risco
de tornar-se prisão.
Toda fluidez
corre o risco
de esquecer o próprio rumo.
A sabedoria
não pertence
à pedra
nem à água.
Nasce
no instante
em que uma aprende
o silêncio da outra.
O rio
jamais pede licença
à montanha.
A montanha
jamais impede
o tempo.
Ambos conhecem
a mesma verdade:
o universo
não se curva
à força.
Curva-se
àquilo
que permanece
sem deixar
de mudar.
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