3/24/26

O QUE CABE NUM ABRAÇO


 

O QUE CABE NUM ABRAÇO

Há muitos tipos de abraço —
nenhum se repete...

Cada um traz sua própria anatomia,
sua temperatura exata,
sua duração inevitável.

Há o abraço trepadeira,
que escala a pele com fome antiga
e se enraíza onde toca.

Há o abraço calmo,
quase silêncio,
onde o tempo se curva
e desaprende a passar.

Há o abraço mensagem,
breve, contido,
mas carregado de tudo
o que a boca não suportou dizer.

Há o abraço à distância —
aquele que não encosta,
mas atravessa,
que não toca o corpo,
mas incendeia a ausência
como se a pele soubesse esperar.

Há os que permanecem,
mesmo depois do corpo partir,
como um calor que a pele
se recusa a esquecer.

Cada abraço é irrepetível,
um código secreto
que só o coração decifra.

E então há a falta.

Esse espaço exato, cruel,
onde um abraço deveria existir
e não existe.

É ali que se revela —
o quanto um abraço permanece
mesmo quando já acabou.


J. Kasra
© Todos os direitos reservados

3/17/26

AS NUANCES DA VIDA


 

AS NUANCES DA VIDA 

Um sussurro entre sombras e luz…

A vida não fala em linhas retas,
sussurra em curvas,
em gestos quase invisíveis
entre um suspiro e outro.

Há dias em que o mundo pesa
como uma noite sem estrelas,
e outros em que a alma explode
como vinho derramado na luz.

Amamos assim —
sem mapas,
sem prudência,
como quem mergulha no mar
sabendo que o fundo
é também um mistério.

Porque viver
é aceitar a vertigem das cores,
o delírio das sombras,
o caos doce das emoções
que ninguém consegue domesticar.

E no meio dessa loucura luminosa,
descobrimos que a vida
não quer ser entendida…
quer apenas
ser sentida.

J. Kasra
© Todos os direitos reservados

𝐅𝐎𝐌𝐄 𝐄𝐓𝐄𝐑𝐍𝐀



𝐅𝐎𝐌𝐄 𝐄𝐓𝐄𝐑𝐍𝐀

Sob a lua que nunca se apaga,
nossos lábios se encontraram
como duas chamas que recusam o fim.

Teu gosto é vinho profundo —
antigo, denso, inevitável.
Escorria lento pelo canto da tua boca
como se a noite precisasse de testemunha.

Quando te beijei,
não houve mundo,
não houve chão,
não houve castelo para onde voltar.

Houve fome.

Uma fome antiga,
anterior ao sangue,
anterior ao nome que carregamos.

Teus lábios abriram em mim
um abismo luminoso —
e eu mergulhei.

Não era desejo apenas.
Era reconhecimento.
Era a alma inclinando-se
para devorar a própria eternidade.

As velas ardiam inquietas,
o castelo respirava pedra e sombra,
mas nada era mais vasto
que o espaço entre nossas bocas
que insistia em desaparecer.

Beijar-te
foi aceitar que não há retorno.

Que há amores
que não querem repouso,
não querem manhã,
não querem salvação.

Querem durar.

E duram
na fome que não se sacia,
no vinho que nunca seca,
no beijo que não termina
porque nunca começou —

apenas sempre foi.

— J. Kasra © 2026 — Todos os direitos reservados

BRINDAR À ESSÊNCIA

 


BRINDAR À ESSÊNCIA 

“Me chamam de louco…”

Me chamam de louco
por buscar quem sabe que se encontra em mim,
por respirar versos
condensados de desejos.

Chamam-me de louco
por render meu tributo apaixonado
a alguém que talvez
eu não conheça nesta existência…
mas sinto que existe.

Meu coração me guia
por coordenadas exatas,
como se a alma soubesse
o caminho antes dos passos,
com cheiro de mar
e pétalas de sal.

E então brindo,
à luz da lua,
ao verdejante caminho por vir,
à tua essência que me chama —
talvez
sem saber.

 J. Kasra
© Todos os direitos reservados


3/03/26

𝐎 𝐁𝐄𝐈𝐉𝐎 𝐐𝐔𝐄 𝐍𝐀̃𝐎 𝐓𝐄𝐑𝐌𝐈𝐍𝐀


 

𝐎 𝐁𝐄𝐈𝐉𝐎 𝐐𝐔𝐄 𝐍𝐀̃𝐎 𝐓𝐄𝐑𝐌𝐈𝐍𝐀

Teus lábios nos meus —
e o mundo perdeu o direito de existir.

Não houve promessa.
Houve fome.

Fome antiga,
mais velha que o sangue,
mais funda que o nome que carrego.

Teu gosto era vinho escuro
abrindo-se na minha boca
como um feitiço que nunca pediu perdão.

Quando te beijei,
não quis ternura.
Quis eternidade.

Eternidade como incêndio.
Como vertigem.
Como duas almas se rasgando
para caber na mesma chama.

Não voltamos.
Não havia casa.
Não havia depois.

Havia apenas o beijo —
lento, profundo,
um abismo sugando o ar
até que respirar fosse desnecessário.

Se me perguntarem o que restou,
direi:

restou a fome.

E ela não termina.

— J. Kasra © 2026 — Todos os direitos reservados

3/02/26

𝐂𝐀𝐑𝐍𝐄 𝐄 𝐀𝐁𝐈𝐒𝐌𝐎

 



𝐂𝐀𝐑𝐍𝐄 𝐄 𝐀𝐁𝐈𝐒𝐌𝐎

Não nos amamos —
nos invadimos.

Entramos uns nos outros
como tempestades procurando ruínas.

Toda relação é um campo de batalha invisível,
onde lutam o que fomos
e o que fingimos ser.

Carregamos dentro de nós
um quarto escuro que quase nunca abrimos.
Nele moram nossos medos com dentes afiados,
nossas faltas,
nossas versões que tememos que ninguém suportaria abraçar.

E ainda assim,
queremos que nos amem inteiros.

Mas quem suporta o peso da verdade?

Quando alguém se aproxima demais,
não é ternura que desperta —
é pânico.
É a memória de antigas quedas
sussurrando que todo afeto cobra um preço.

Amamos com as mãos trêmulas,
como quem segura vidro partido.
Queremos fusão,
mas tememos desaparecer.
Queremos profundidade,
mas recuamos quando o outro toca a ferida certa.

Dentro de cada abraço
há um grito contido.
Dentro de cada silêncio,
uma infância ainda esperando ser salva.

E o conflito não está apenas no outro.
Está na fome antiga de sermos vistos
sem que precisemos sangrar por isso.

Somos abismos tentando dialogar.
Somos carne querendo transcendência.
Somos desejo e medo de sermos descobertos.

E no fim,
amar é aceitar que o outro
não veio para nos completar —
veio para acender as luzes
do que mantínhamos na sombra.

E isso queima.
Mas também revela.

— J. Kasra © 2026 — Todos os direitos reservados

3/01/26

𝐎 𝐁𝐄𝐈𝐉𝐎 𝐏𝐑𝐎𝐅𝐀𝐍𝐎

 


𝐎 𝐁𝐄𝐈𝐉𝐎 𝐏𝐑𝐎𝐅𝐀𝐍𝐎

Te encontrei onde a luz hesita.

Entre paredes úmidas de silêncio
e teias antigas pendendo do teto da memória.

Havia vinho na tua boca —
escuro, espesso, quase pecado.

Quando me beijaste, não foi ternura:
foi invasão lenta,
como se o tempo abrisse a própria veia.

Teus lábios tinham gosto de promessa quebrada
e eternidade maldita.

Eu bebi sem recuar.

Nossas sombras se enroscaram no chão
como fios de aranha famintos,
tecendo um pacto que não pedia céu.

Ali, naquele instante impuro,
não éramos dois corpos —
éramos vertigem.

E o beijo não terminou.
Ele ficou grudado na alma,
como vinho derramado que mancha para sempre.

— J. Kasra © 2026 — Todos os direitos reservados

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THE MINERALOGY OF MASKS

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