O QUE CABE NUM ABRAÇO
Há muitos tipos de abraço —
nenhum se repete...
Cada um traz sua própria anatomia,
sua temperatura exata,
sua duração inevitável.
Há o abraço trepadeira,
que escala a pele com fome antiga
e se enraíza onde toca.
Há o abraço calmo,
quase silêncio,
onde o tempo se curva
e desaprende a passar.
Há o abraço mensagem,
breve, contido,
mas carregado de tudo
o que a boca não suportou dizer.
Há o abraço à distância —
aquele que não encosta,
mas atravessa,
que não toca o corpo,
mas incendeia a ausência
como se a pele soubesse esperar.
Há os que permanecem,
mesmo depois do corpo partir,
como um calor que a pele
se recusa a esquecer.
Cada abraço é irrepetível,
um código secreto
que só o coração decifra.
E então há a falta.
Esse espaço exato, cruel,
onde um abraço deveria existir
e não existe.
É ali que se revela —
o quanto um abraço permanece
mesmo quando já acabou.
J. Kasra
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