4/30/26

GEOMETRIA DO FOGO SILENCIOSO


 

GEOMETRIA DO FOGO SILENCIOSO

Há templos onde a matéria ainda se lembra do primeiro estremecer da criação.
Pedras antigas respiram sal e silêncio, como se guardassem sob a cal o rumor de desejos não confessados.

Uma presença atravessa o espaço — não como corpo, mas como faísca reconhecendo a própria chama.

As velas inclinam suas línguas de ouro, e a penumbra se abre como terra úmida recebendo semente.

Entre ruína e incenso algo desperta na geologia invisível do destino: duas forças antigas tateando na mesma rocha, veios de quartzo ardendo sob a mesma montanha.

Não há gesto, apenas a tensão luminosa do que poderia tocar.

E nesse instante suspenso entre fé e vertigem o passado se desprende das paredes como pó sagrado, enquanto o desejo — lento, mineral, inevitável — aprende novamente a existir.


J. Kasra
Todos os direitos reservados.

4/27/26

A UMIDADE DO INCÊNDIO


 A UMIDADE DO INCÊNDIO


Na chuva lenta da noite
erguemos um altar entre pedra e respiração.

As velas ardem molhadas,
teimosas como um desejo que não se ajoelha.

Sobre o altar, as uvas repousam escuras,
exalando um perfume denso de doçura e promessa.

Te abraço
como quem guarda um incêndio entre as mãos.

Teu corpo é terra quente sob a chuva,
cheiro de pele viva misturado ao vento molhado.

E quanto mais a água nos cobre,
mais minha chama se inclina para ti.

Assim ficamos, colados à tempestade:
eu queimando devagar
no perfume úmido da tua pele.

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4/26/26

NA CAPELA ONDE O DESEJO APRENDE A PENSAR

 



NA CAPELA ONDE O DESEJO APRENDE A PENSAR

Na capela abandonada,
o silêncio não é silêncio —
é um corpo pensando devagar dentro de mim.

Eu não entro aqui.
Eu sou convocado.

Como se algo antigo me reconhecesse antes do meu próprio nome
e decidisse que eu já não posso mais me pertencer.

Os vitrais quebrados não deixam a luz passar.
Eles a ferem.
Transformam o mundo em memória em carne viva.

E então ela aparece.

Mas não aparece — isso seria simples demais.
Ela acontece.

Como um pensamento que se recusa a terminar.
Como uma ideia que aprendeu a ter pele.

O vermelho não é roupa.
É linguagem sem tradução dentro do sangue.

E eu reconheço isso antes de compreender.
Reconheço com algo mais antigo que a consciência —
um tipo de memória que não pertence a mim.

A vela na mão dela não ilumina.
Ela julga.

Cada gota de cera não cai —
ela desce por dentro da minha percepção
como se o tempo estivesse perdendo o direito de ser linear.

O ar fica mais próximo.
Próximo demais para ser inocente.

Os limites entre olhar e ser olhado começam a falhar.
E essa falha é o começo de tudo.

Não há distância entre nós.
Só uma tensão que aprendeu a respirar sozinha.

E o mais inquietante:
não sei mais quem está criando quem.

Porque há momentos em que sinto
que ela me pensa.

Não me vê — me pensa.

E isso é mais íntimo do que qualquer toque jamais seria.

As sombras se aproximam como se tivessem lembrado de nós.
Como se já nos conhecessem antes de qualquer forma.

E o altar não observa.
Ele participa.

E eu entendo, ou sou desfeito nessa compreensão:

não existe encontro aqui.
Existe reconhecimento.

Algo que sempre esteve acontecendo
antes mesmo de existir um “antes”.

E o desejo — esse nome pequeno demais para o que é —
não pede nada.

Ele ocupa.

Ele pensa através de nós
até que já não reste diferença entre pensamento e corpo,
entre presença e colapso.

E então percebo:

talvez nunca tenha sido uma capela.

Talvez tenha sido sempre uma mente
tentando me lembrar dela mesma.


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Laços Energéticos e Destino: Conexões Invisíveis Entre Pessoas e Suas Vidas


 Você já percebeu que algumas pessoas parecem entrar na sua vida carregando algo que vai além da lógica?

Nem todas as conexões são simples encontros. Algumas despertam sensações difíceis de explicar, como se existisse um fio invisível ligando histórias, emoções e destinos.

O ebook “Laços Energéticos e Destino: Conexões Invisíveis Entre Pessoas e Suas Vidas” aprofunda essa percepção, explorando as ligações sutis que influenciam nossas relações e experiências emocionais.

Neste conteúdo, você vai compreender:

• Como se formam os laços energéticos entre pessoas
• O papel das sincronicidades e dos sinais na vida cotidiana
• A diferença entre conexão verdadeira, apego emocional e idealização
• Como o autoconhecimento impacta diretamente suas relações

Mais do que uma leitura, este ebook é uma reflexão sobre consciência emocional, escolhas afetivas e os vínculos invisíveis que moldam a sua trajetória.

Nem toda conexão é acaso. E nem toda ausência é perda.

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HISTÓRIAS E ESTÓRIAS


 HISTÓRIAS E ESTÓRIAS

Somos feitos de histórias
e de estórias que sangram por dentro.
Não há pele suficiente para conter tudo o que vivemos —
tudo o que inventam em nós
e tudo o que aceitamos como verdade.

Há histórias que chegam como vento quente,
nos atravessam sem pedir licença,
deixam nomes marcados na carne
como se o tempo fosse faca lenta.

E há estórias…
essas mentiras necessárias,
essas invenções que o coração cria
quando a realidade não cabe mais na mão.

Somos energia em estado de lembrança,
correntes elétricas vestidas de passado,
cicatrizes que aprenderam a pensar.

O que nos ensina também nos fere.
O que nos salva também nos dobra.
E assim seguimos —
um acúmulo de quedas bem organizadas
fingindo que chamamos isso de vida.

Porque cada encontro é um impacto.
Cada ausência, um eco.
Cada palavra não dita
um abismo que aprende a respirar sozinho.

E no fim, talvez não sejamos pessoas.
Talvez sejamos só isso:
histórias tentando não desabar,
estórias tentando fazer sentido da dor,
energia insistindo em não desaparecer
mesmo quando tudo em nós
já virou lembrança.

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4/20/26

ESSÊNCIA


 

ESSÊNCIA

O amor desperta…
não o amor por algo, por alguém,
mas o amor essência —
aquele que é raro
e só se compartilha com outra essência.

Mas de um modo único,
longe das matemáticas e das gramáticas.

É o que não vem apenas para somar,
mas para transbordar.

Sem sílabas,
em linguagem natural —
de frequências, do pensar, da pele.

Não como começo,
mas como algo que sobreviveu em silêncio.

Adormecido sob o peso de cruzes antigas,
protegido por muros invisíveis erguidos por decepções,
por medos que aprenderam a se disfarçar de cuidado.

E ainda assim… algo atravessa.

Nos conectamos antes mesmo de perceber,
como se uma presença chegasse antes do corpo,
como se o sentir conhecesse caminhos
que a razão nunca percorreu.

Há uma vontade quase incontrolável…
de cuidar, de proteger, de fazer ser diferente —
não por promessa, nem por impulso,
mas por chamado…
por um saber silencioso que se reconhece.

E no escutar… tudo se antecipa.

Como se cada silêncio dissesse mais do que qualquer palavra,
como se cada dor, cada suspiro, cada pensamento
já tivesse atravessado o outro antes de ser dito.

Somos esmagados como uvas…
e o que resta não é perda —
é expansão.

Uma frequência que se replica e se renova,
que se reconhece,
que insiste.

E isso… é uma certeza calada.

Daquelas que não se dizem sem medo de parecer excesso,
pretensão… ou ilusão.
Mas não é.

Porque quando é real,
não precisa se provar —
apenas continua.

Mesmo diante das dúvidas,
mesmo com o medo sussurrando recuo,
mesmo com o passado tentando repetir suas sombras.

E talvez seja isso que desorganiza tudo:
não é confusão…
é a consciência de algo profundo demais
tentando caber em duas essências
que já se reconheceram antes mesmo de saber.


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CARNE E RAIZ


 

CARNE E RAIZ

Há momentos em que a noite nos chama pelo nome
não o nome que herdamos, mas aquele que esquecemos de lembrar.

E vamos — como quem atende a um sussurro antigo,
um canto de sereia que não vem do mar, mas de dentro,
de um abismo com raízes.

A floresta não se abre — ela nos engole.

Flores com dentes, plantas que respiram desejo e o devoram,
espinhos que não ferem a pele, mas rasgam as certezas,
arrancam pedaços de quem fomos com uma delicadeza cruel.

E ainda assim, seguimos.

Pisamos um chão de maçãs secas,
memórias trituradas sob os pés,
um doce apodrecido que insiste em perfumar o caminho.

Cada passo estala como um osso antigo,
cada avanço é uma pequena morte consentida.

Há lama — territórios movediços onde o pensamento afunda,
onde a dúvida tem peso,
onde o futuro não passa de um animal invisível respirando atrás da nuca.

E seguimos.

Porque algo pulsa — um coração que não é nosso,
ou talvez seja o mais nosso de todos.

Ele chama.

Ele sacode as entranhas.

Ele nos desorganiza como um soco no estômago, tirando o ar,
mas devolvendo um outro tipo de vida.

Seguimos sem mapa, sem promessa, sem a menor ideia de chegada.

Mas com um desejo — bruto, inexplicável, irreversível —
que nos atravessa como lâmina quente.

E então entendemos: não é sobre encontrar o fim do caminho.

É sobre ser devorado por ele e ainda assim arder de vontade de continuar.

Olfateamos o tempo como feras antigas,
com uma paciência que não aprendemos — lembramos.

E no silêncio mais fundo, onde o medo deveria gritar, sabemos.

Sabemos com uma certeza que não pede prova, que não aceita dúvida,
que não negocia com o mundo: isso é real.

E nada — nem a dor, nem a perda, nem nós mesmos —
será capaz de nos parar um na direção do outro.


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THE MINERALOGY OF MASKS

  THE MINERALOGY OF MASKS Appearance learned early the art of polishing its own stone. Essence never needed such a theater. It simply is, ev...